Ruínas do Trapiche e Suas Histórias

O Trapiche foi construído pelo barão de Itapemirim, em local pertencente à Silva Lima & Braga e, mais tarde, ao capitão Deslandes, um pioneiro na navegação a vapor no rio Itapemirim.

Na década de 1870, o capitão montou uma sociedade com Manoel Ferreira Braga, formando a empresa Braga & Deslandes, firma que, em 1875, inaugura o serviço de barcos a vapor.




Essa parece não perdurar, pois já no ano de 1883, o armazém tem como quarto proprietário Simão Rodrigues Soares. Foi ele quem adquiriu um pequeno barco a vapor, chamado Três de Abril, construído para viajar nos períodos de seca do rio.

Com a morte de Simão Rodrigues Soares, o trapiche passou a ser administrado por seu sobrinho, Luis Rodrigues Soares.


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Conhecendo Um Pouco Mais do Trapiche

O Trapiche constituía-se de dois edifícios, diferenciados em sua funcionalidade e volumetria. O primeiro é um volume retangular de dois pavimentos, delineado por paredes perfuradas por muitas aberturas, segundo um ritmo constante.

Nesse edifício, aquele destinado à armazenagem e à administração, a fachada frontal é bastante simétrica, marcada pela disposição de portas e janelas sobrepostas. Posicionadas no térreo, as duas portas se diferenciam em dimensão, interrompendo, assim, o ritmado das janelas.

Código: ST33kk4i

Essas estão fechadas com esmeradas esquadrias de caixilharia em madeira e vidro e, como as portas, possuem verga em arco pleno, elemento responsável pelo acento clássico da linguagem que reveste o edifício. Junto ao rio, o segundo, destinado ao desembarque na sua parte posterior, é um bloco retangular mais baixo, onde o elemento marcante é a cobertura em duas águas.

Essa avançava em relação ao corpo edificado, criando uma espécie de varanda coberta ligada ao ambiente interno por meio de porta. Além dessa abertura, duas únicas portas, posicionadas em cada uma das fachadas laterais, junto ao armazém, ligam esse edifício ao exterior. Poucas, contudo, essas aberturas são os elementos arquitetônicos importantes, pois garantem a unidade compositiva do conjunto.

No conjunto, construtivamente, o Trapiche é erguido com estrutura de pilares de sustentação em pedra e cal, na parte inferior, e na parte superior em alvenaria de barro associada às paredes em alvenaria mista de pedra e tijolo. As vigas, grossos barrotes de madeira, sustentam a laje de piso e o assoalho de tábuas largas.




A robusta estrutura tem sua parte posterior sobre o rio. O telhado era coberto por telhas-marselhesas. No início do século XX, o rio Itapemirim começou a apresentar dificuldades em sua navegação, perdendo profundidade devido ao assoreamento de seu leito e ao desmatamento de seu vale.

Além disso, o café sofreu grande queda de preço e o Espírito Santo foi vítima de uma prolongada seca, fatores decisivos para a crise no transporte fluvial e o consequente desaparecimento das companhias de navegação.

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Mas, é a construção da Estrada de Ferro Vitória-Cachoeiro-Rio de Janeiro o principal condicionante da decadência e abandono do Trapiche. Esse, ao entrar em desuso, passa por contínuo processo de deterioração, intensificado com incêndio ocorrido em 14 de abril de 1988, do qual restaram apenas as paredes externas e os pilares, além da plataforma na beira do rio onde funcionava o cais.

Trapiche E Palácio Das Águias

Localização: Barra de Itapemirim, Marataízes

Proteção Legal: Resolução nº 1/1998 do Conselho Estadual de Cultura

Inscrição no Livro: do Tombo Histórico sob o nº 184, folhas 30v e 31




Sandra Santos

O site girocapixaba.com é a concretização de um sonho, onde o foco é o turismo do estado do Espírito Santo. Não me canso de dizer: "O Estado do Espírito Santo é Lindo!"

Website: http://sandrasantos.net

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