Município de Baixo Guandu

O povoado que deu origem ao município de Baixo Guandu começou a se formar em 1866, quando chegaram ao local o major veterano da Guerra do Paraguai José Vieira de Carvalho Milagres e seu filho Francisco de Carvalho Milagres, ambos fazendeiros em Cantagalo, no Rio de Janeiro.




Eles fixaram-se nas terras que margeavam os Rios Guandu e Doce e, em 1872, trouxeram em definitivo seus familiares para o local, tornando-se grandes empreendedores no comércio e na navegação do Rio Doce.

Antes do major e de seu filho se estabelecerem no que hoje é reconhecido como Baixo Guandu, há registros de outras tentativas de permanência na localidade. No entanto, houve muita defesa dos índios que viviam à margem do Rio Doce: os botocudos.

Eles resistiram durante décadas à tentativa de colonização do Rio Doce, mas foram duramente perseguidos e mortos depois que o governo de dom João VI resolveu efetivamente fazer a ocupação da região.

O território passou por uma violenta tentativa de pacificação para que pudesse se tornar uma aldeia destinada a abrigar viajantes e comerciantes.

Esse processo contou com o apoio político e militar da coroa portuguesa, numa campanha conhecida como Aldeamento do Mutun. O Quartel do Porto de Souza foi construído próximo à foz do Rio Guandu, e, em 1813, duramente atacado e destruído pelos índios.

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Em apenas um século, entre 1800 e 1900, os botocudos foram praticamente dizimados da região do Vale do Rio Doce.

A colonização do local, iniciada pelo major Milagres, teve sua base sedimentada no trabalho de imigrantes europeus de várias procedências no núcleo colonial de Afonso Pena, hoje Ibituba, um dos distritos de Baixo Guandu.

Em 1879, o Rio Doce viu surgir a navegação a vapor, impulsionando o comércio de produtos, como fumo, toucinho, carne-seca, mel e café.

No entanto, a partir de 1907, com a chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas, as marias-fumaças tornaram-se um novo meio de transporte de mercadorias muito mais rápido e econômico.

Como consequência, houve o declínio da navegação pelo Rio Doce. Esse novo ciclo também é exemplo do processo de urbanização que acompanha esse crescimento.

A aldeia foi povoada por imigrantes europeus (italianos, franceses e espanhóis) que vinham ao Brasil em busca de empregos e terras. “Os colonos estrangeiros se estabeleceram no Vale do Guandu e outros noRibeirão do Lage.




“Em ambas as margens, há, ainda hoje, sinais marcantes da herança europeia no município.”

Em 1891, Baixo Guandu foi elevado a distrito de Linhares e, em 1915, tornou-se sede do município. No ano de 1921, passou a pertencer a Colatina, que havia se tornado independente em agosto do mesmo ano.

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Em 1934, foi criada uma comissão pró-emancipação de Baixo Guandu, que iniciou um intenso trabalho junto ao governo do estado. A oficialização aconteceu em 10 de abril de 1935.

Baixo Guandu localiza-se a 186 quilômetros da capital do Espírito Santo, Vitória. Sua área é de 916.931 quilômetros quadrados e a cidade é constituída de cinco distritos: a sede Baixo Guandu, Alto Mutum Preto, Ibituba, Km14 do Mutum e Vila Nova de Bananal.

O que Conhecer em Baixo Guandu

Casarão da Madame Albertina Holz

Albertina Holz nasceu na Alemanha, em 1862. Aos 13 anos migrou para o Brasil com outras famílias pomeranas e, em 1892, mudou-se com o marido e os 14 filhos para Baixo Guandu, devido à construção da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Fortaleceu-se no comércio de secos e molhados e expandiu para café e cereais.

O casarão foi erguido em 1919, sendo uma das primeiras edificações do município, antes mesmo da emancipação política de Baixo Guandu. Localiza-se próximo à Estação Ferroviária, na Praça Governador Bley, no Centro.

Com estilo eclético e influência do neoclassicismo da segunda metade do século 19, a edificação foi construída de forma irregular, com 30 metros de frente e 38 metros de lado, numa área de 746 metros quadrados.

Possui alicerces de pedra e paredes de tijolo queimado e é coberto de telhas francesas. O primeiro pavimento era usado como local de comercialização de secos e molhados e recebimento de imigrantes que chegavam à cidade.

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É formado por um único cômodo. O piso é cimentado e há três portas de frente. Já o segundo pavimento era usado como residência e tinha um assoalhado, com 11 cômodos, três janelas de frente e esquadrias de madeira de lei. Ao lado do casarão, havia armazéns para estoque de café e artefatos.

Reconhecida na cidade como uma grande comerciante, Albertina comprava e vendia mercadorias produzidas no interior e utilizava os trens para manter seu comércio forte com Vitória.

Morreu em 1952, aos 90 anos. O imóvel, batizado de Casarão da Madame Albertina Holz, foi comprado, em 2006, pela prefeitura, que pretende transformá-lo em um museu. Foi tombado pelo município como bem material e está com pedido de tombamento tramitando no Conselho Estadual de Cultura (CEC).

Canaã Clube

Usado para bailes e festejos principalmente da elite social da cidade, foi inaugurado em 10 de abril de 1953. Durante 30 anos, foi palco do Carnaval e também do Réveillon guanduense. Com o passar do tempo, tornou-se uma das principais áreas de recreação, integração e lazer de Baixo Guandu.




Tombado pelo município, atualmente o pedido de tombamento do clube tramita no Conselho Estadual de Cultura (CEC).

Sua arquitetura é original e conta com alicerces de pedra, paredes de tijolo queimado, coberto de telhas francesas e portas e janelas de madeira de lei. É formado por um primeiro pavimento de piso de madeira, um salão principal, dois banheiros e salas administrativas.

Durante os anos 1980 e 1990, o clube ficou abandonado, mas na década de 2000 passou por reformas e ampliações, mantendo sua arquitetura e seu modelo original – o lustre do salão principal de dança, inclusive, é o mesmo até os dias atuais.

Pertence ao município, mas, depois de reformado, foi entregue em comodato ao Grupo da Melhor Idade, que realiza, aos sábados, um baile voltado para a terceira idade. Também é a sede de ensaios da Banda Municipal Lyra Guanduense.

Cine Alba

A Rua Milagreas Júnior, no Centro, guarda memórias, inesquecíveis dos moradores guanduenses.

Na imaginação de muitos, histórias de amor, de aventura e dramas. Foi lá que funcionou o Cine Alba, que chegou a ser considerado uma das melhores salas de exibição do país.

Construído em 1954 pelas famílias Holz e Kunkel, foi inaugurado em 29 de setembro de 1956, sob a benção de padre Alonso, com direito a pulo de paraquedas festejando a abertura de suas portas.

O prédio de traços modernistas, inspirado em salas americanas, foi um projeto assinado pelo então renomado arquiteto de Vitória Marcelo Vivacqua. A sala possuía 800 cadeiras estofadas, tela em CinemaScope, projetores italianos com lentes alemãs, modernos sistemas de som, iluminação e ventilação.

Chegou a ter cinco sessões diárias. Além das atrações cinematográficas, também era um dos principais palcos de shows com artistas regionais ou nacionalmente conhecidos, como a cantora Ângela Maria.

Biblioteca Municipal

Um forasteiro que passe pela principal via do Centro da cidade talvez não perceba que no prédio do Mercado Municipal, em uma das portas, funciona o maior tesouro de Baixo Guandu: sua memória. É ali, numa sala, que está localizada a Biblioteca Municipal.

Fundada em 1944 pelo então prefeito Manoel Milagres Ferreira, a biblioteca tem em torno de 5 mil itens em seu acervo, entre livros históricos, literatura clássica, jornais e revistas. Há mesas e cadeiras no local para os visitantes lerem à vontade. Grupos de alunos também freqüentam a sala para pesquisar. A biblioteca funciona de segunda a sexta, das 7 às 18 horas.

Teatro Dom Bosco

Usado como palco de shows, teatro, espetáculos de dança, além de apresentações escolares e formaturas, o Teatro Dom Bosco foi inaugurado em março de 2014. O espaço tem capacidade para 310 pessoas e pertence ao Ginásio Brasil, escola fundada em 1950, ainda como escola paroquial pelo padre Alonso (Alonso Benício Leite), pároco da Igreja Matriz São Pedro.

Dois anos depois, ele ampliou a escola, oferecendo, além do curso ginasial (ensino fundamental), ensino médio técnico em contabilidade e magistério. Passou a se chamar Ginásio Brasil, em 14 de outubro de 1952. Atualmente, a escola pertence à Rede Salesiana de Escolas.

A época da inauguração do Teatro Dom Bosco, o diretor do Ginásio Brasil Euber Barbato afirmou que “a construção do teatro foi um sonho de muitos educadores, gestores e educandos que, nesses 61 anos, formaram neste espaço seus conhecimentos e valores”.

Concha Acústica

Quem chega à Praça São Pedro, no Centro, logo nota um palco a céu aberto em formato meia-lua. É lá, com a Igreja Matriz ao fundo, que a Banda Municipal, duplas sertanejas, grupos de rock, cantores de forró e covers se apresentam, tornando o local um dos espaços mais democráticos de Baixo Guandu.

Inaugurada em 2008, juntamente com o projeto de urbanização da praça, a concha é um palco público administrado pela prefeitura.

O espaço é usado para apresentações gratuitas e é ocupado às quintas-feiras, com shows durante a Feira Municipal. O público vai se formando no entorno da concha: grupos em pé, às vezes sentados em mesas e cadeiras levadas ao local, ou dançarinos que demarcam com seus passos um salão improvisado em plena praça.

Mercado Municipal

Ao entrar pelo portão localizado na Avenida 10 de Abril, no Centro de Baixo Guandu, uma mistura de cores e cheiros atiça a curiosidade.

Fundado em 1944, o Mercado Municipal vende um pouco de tudo: frutas, verduras, mel, produtos naturais (como óleos e essências), temperos, fubá, farinha, feijão, peixes, aves e ração. Mas há também Bíblias, vassouras, produtos de limpeza, ferramentas, material de pesca e até berrantes.

Desde 2014, a Associação de Artesãos de Baixo Guandu (Associarte) tem duas bancas no mercado para a comercialização de seus produtos.

Há 27 anos trabalhando no local, Valdir Gonçalves conta que Baixo Guandu cresceu a partir do mercado. “Aqui era tudo estrada de terra. Chegou um comerciante e colocou a primeira barraca, depois outros se juntaram e a cidade foi crescendo em volta. Anos depois, a prefeitura oficializou o local e colocou a estrutura”, conta.

Cachaça

Primorosa é o tipo de manga produzido pela família Fleger Raasch que, a partir de 1990, começou a usar o excedente não comercializado da fruta para a produção da aguardente.

Toda a produção é orgânica, feita num sítio da família no Km 4 de Baixo Guandu.

Ignácio Raasch, de 75 anos, trabalhava em uma oficina mecânica até ter um esgotamento físico e mental. Seu médico recomendou parar, pois ele não estava mais aceitando ouvir o barulho das máquinas. Assim, mudou-se de Colatina para Baixo Guandu, em 1969.

No ano seguinte, começou a plantar manga e a vender o fruto de charrete pelo Centro. Em 1990, teve a ideia de fazer a cachaça de manga.

“Na primeira vez que produzimos a cachaça, o barril pegou fogo. Foram três anos até conseguir acertar o gosto. Dávamos para as pessoas provarem e comentarem”, relembra Ignácio.

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Primorosa, aguardente de manga

A família esteve três vezes em Viçosa até conseguir ter a cachaça aprovada. Contaram com algumas consultorias do Sebrae para fazer a apresentação e o rótulo da aguardente.

De Baixo Guandu, a cachaça já cruzou oceanos e viajou para a Itália, a Alemanha e até a China.

Novembro, dezembro e janeiro são os meses de colheita da manga. Por safra, produzem mil litros da cachaça em um tanque de 6 mil litros. Na outra parte do ano, preparam a terra e plantam a manga. “Produzimos a cachaça somente nesse período e vendemos apenas aqui”, conta Ignácio.

Baixo Guandu Rodeio Show

Realizado anualmente desde 2002, o rodeio, entrou para o calendário oficial da cidade a fim de estimular o desenvolvimento socioeconômico local.

Além da competição, há shows e exposição de animais. Tornou-se um dos principais eventos da cidade, ao lado do aniversário da festa de emancipação de Baixo Guandu, celebrado em abril; da festa de são Pedro, padroeiro municipal, em junho; e da Expo Guandu, em setembro ou outubro, com shows, feira de artesanato, concursos e expositores de animais e produtos agrícolas.

As celebrações cívicas e religiosas são uma opção de lazer para a população e expressam os valores locais, colaborando na construção e consolidação das identidades.

Igreja Matriz São Pedro

A construção da Igreja São Pedro começou em 1942, coordenada pelo primeiro pároco de Baixo Guandu, o padre Aristides.

Em abril de 1944, chegou a Baixo Guandu o padre Alonso, segundo pároco da cidade, que deu continuidade às obras.

Em junho é realizada a festa de são Pedro, padroeiro da cidade. Novena, procissão e celebração de missas em estilos diferentes, como em italiano ou à moda sertaneja, são alguns dos eventos, que contam ainda com os tapetes de sal na rua em frente à igreja.

Na área de lazer, palanques para shows e barracas de comida são algumas das atrações. Nos fundos da igreja está sendo construído um museu que vai contar a história da Matriz São Pedro, que se confunde com a própria história de Baixo Guandu. Vestimentas do padre Alonso, biblioteca, móveis, fotos antigas com os tapetes de Corpus Christi são algumas das peças que estarão expostas.

Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

A sede da Igreja de Confissão Luterana fica localizada no Morro da Caixa d’Água, na Rua Martim Lutero.

A igreja luterana tem forte presença em Baixo Guandu. Com quase 2 mil membros, os luteranos celebram o Dia de Ação de Graças, em junho, com coral luterano, dança folclórica, cuca, bolo, arroz-doce e canjica. O culto festivo conta com a tradição da lingüiça colonial de metro.

Todos os anos, uma pessoa da comunidade luterana fica responsável por fazer a lingüiça com muitos metros, que fica enrolada e exposta durante o evento.

Todos palpitam a metragem, e quem chegar mais próximo do número leva a lingüiça. Durante o evento, as tradições são relembradas por meio da história oral entre seus freqüentadores.

Rampa do Monjolo

O ponto de encontro aos sábados, domingos e feriados é de frente para uma vista espetacular. Os amigos da Associação de Vôo Livre de Baixo Guandu reúnem-se na Rampa do Monjolo para praticar o parapente e também para conversar e trazer a família.

É um estilo de vida para o grupo, que tem contas em redes sociais para seguir trocando informações.

Baixo Guandu se tornou uma referência internacional do esporte. Em 2018, vai ser a sede do Panamericano de Parapente. “Não basta ter um morro para fazer um bom vôo. São vários fatores, como possuir muitas áreas de pouso e uma corrente térmica adequada”, comenta o comerciante Ricardo Mendonça de Aquino, de 43 anos. Ele está há 15 anos no parapente e é considerado o veterano da rampa.

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Foi um dos líderes da construção da sede no local, com banheiros, bar que serve almoço aos domingos e até um sistema interno com câmera para conectar a biruta, que permite ver as condições de vôo. “Construímos com dinheiro próprio, doações de amigos e de outros parapentistas.”

Leovane Rossoin, 46 anos, é eletricista mecânico. Há dois anos e meio pratica o parapente. “Baixo Guandu é o Havaí do vôo livre. Quase todo o dia dá para voar. Em alguns locais do país, isso é possível apenas em determinadas épocas do ano”, comenta.

Raney Modeneze de Freitas, 28 anos, voa desde 2013 e está se formando para ser instrutor de voo. Ele conta que muitas vezes o grupo se reúne para fazer vôos em grupo. “É um esporte de paciência, e por vezes ficamos horas esperando o melhor momento.

Tem dia que, mesmo sabendo que não vamos voar, nós nos encontramos na rampa para conversar.”

Conhece Baixo Guandu? Compartilhe sua experiência conosco.

Sandra Santos

O site girocapixaba.com é a concretização de um sonho, onde o foco é o turismo do estado do Espírito Santo. Não me canso de dizer: "O Estado do Espírito Santo é Lindo!"

Website: http://sandrasantos.net

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